Novo texto de Daniel Silva: AS TRÊS ÉTICAS DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O texto a seguir é introduz a idéia de que o Conceito de possui três : A Solidariedade, A Sustentabilidade e A .

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARI NA

CENTRO TECNOLÓGICO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL

GTHIDRO

 

AS TRÊS ÉTICAS DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

1. O conceito de Desenvolvimento Sustentável (DS) foi proposto pela Comissão Mundial de Desenvolvimento e Ambiente das Nações Unidas em 1.987. Em 1.992 ele foi ratificado por 147 nações do mundo na II Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Ambiente, no Rio de Janeiro. Desde então, lideranças políticas, sociais e econômicas e técnicos, gestores e cientistas tem se esforçado para compreender as implicações das inovações que sua aplicação na prática tem demandado. Esta valorização pedagógica do conceito vem neste sentido: tentar explicitar as éticas do conceito, entendo-as como as emoções verdadeiras sentidas por uma pessoa ao praticar o conceito.

2. O conceito de DS possui duas éticas explícitas, fáceis de serem sentidas e visualizadas por qualquer pessoa. A primeira emerge da associação intergeneracional, quando propõe um compromisso de sustentabilidade a ser assumido pelas gerações atuais com as gerações futuras. É a ÉTICA DA SOLIDARIEDADE. A solidariedade é a emoção do partilhar, do doar e presupõe uma economia prévia, uma poupança. Não se pode doar o que não se tem. Com esta ética o DS está propondo que deixemos um mundo melhor como legado para os que virão. Trata-se portanto de colocar-nos de acordo sobre a construção deste legado e de como todos poderão participar. A ética de solidariedade com as gerações futuras implica numa solidariedade entre as próprias gerações atuais, de modo a reduzir a indiferença humana, causa maior da degradação da natureza, da violência de nossas sociedades e da dificuldade das pessoas em usufruirem uma melhor qualidade de vida.

3. A segunda ética emerge do objeto da solidariedade com as gerações futuras, o ambiente. Mais precisamente a natureza que ocupamos e a cultura com a qual nos servimos dela para viver. É a ÉTICA DA SUSTENTABILIDADE. A sustentabilidade é a emoção de colher o fruto, de plantar a semente, de cultivar a maturidade, sempre com a consciência de não esgotar as fontes. Esta consciência, entretanto, não está impressa no código genético do vivo. Ela é uma emergência, uma resultante do viver em conjunto. O DS, ao propor relações sustentáveis entre as atuais gerações e a natureza, está propondo que aprendamos a usufruir da natureza conhecendo e preservando seus limites ecológicos e suas dimensões organizacionais. A ética da sustentabilidade implica numa adequadação ecológica e cultural de nossa cultura de planejamento e gestão dos territórios, de modo a reduzir a arrogância econômica e a intolerância política, causas maiores da geração e perpetuação dos conflitos ambientais e sociais.

4. A terceira ética do DS, ao contrário das duas primeiras, está implícita, sendo menos fácil de ser sentida e visualizada. Talvez aqui resida a principal explicação das dificuldades de construção do DS. Existe um caminho a ser percorrido entre a primeira e a segunda ética. Com facilidade nos colocamos de acordo em sermos solidários com nossos filhos e netos, bem como em trabalharmos para deixar-lhes um mundo melhor, mais pacífico, justo e sustentável. Entretanto, temos muitas dificuldades de nos colocar de acordo sobre como fazer isto de forma coletiva. Ou simplemente não sabemos como fazer. A terceira ética do conceito de DS diz respeito à emoção fundadora deste como fazer, de como trilhar o caminho entre a solidariedade e a sustentabilidade. É a ÉTICA DA COOPERAÇÃO. A cooperação (co-operar-ação) é a ação de operar em conjunto. É a lógica de operação de todos os sistemas naturais sustentáveis. Ela não exclui a competição, mas esta é um comportamento menor e circunstancial, nunca determinante e exclusivo. Esta terceira ética é uma emoção do tipo pedagógica, quando se sente que estamos indo bem, que teremos um bom resultado, mas que estamos num processo, em construção, caminhando e que o futuro não está determinado, apenas almejado e protegido. Esta terceira ética, ao tratar do caminho, nos diz apenas que ele deverá ser realizado com todos os interessados, com todos os participantes, com todos aqueles que tem o compromisso com as suas gerações futuras. Trata-se portanto, apenas de garantir uma forma de participação, de aprender a ouvir a opinião do outro, mesmo que com ela não se concorde, de dar-se os tempos necessários a que todos possam se inserir de forma qualificada no processo e nele possam influir estratégicamente e que hajam indicadores que possam avaliar e criticar tanto o processo quanto os resultados. Nós já temos hoje o marco legal desta participação qualificada e estratégica. Ela está nos fundamentos das leis federais que estabelecem as políticas públicas de DS em nosso País. Seus principais instrumentos são os conselhos municipais, comitês de bacias e demais conselhos gestores. O avanço depende agora de encontrarmos tempo, recursos e motivação pessoal e política para aprendermos a conceber, contextualizar e praticar ações consensuais em conjunto.

Fractal das Três Éticas do Desenvolvimento Sustentável

Fractal das Três Éticas do Desenvolvimento Sustentável

Texto elaborado por Daniel Silva em 23 de julho de 2008. Florianópolis, SC.

GTHidro/ENS/CTC/UFSC. (daniel@ens.ufsc.br)

 

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2 thoughts on “Novo texto de Daniel Silva: AS TRÊS ÉTICAS DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

  1. As tres éticas constituem um nem tão novo mas desafiante paradigma para nós todos.
    Sermos soliDÁRios e praticarmos a cooperAÇÃO para efetivar uma sustentabilidade que perdure “ad eternum”.
    Na ética da solidariedade = Partilhar
    Na ética da sustentabilidade = Emocionar-se com a VIDA
    Na ética da cooperação = cooperar uns com os outros numa rede de relação com todas as espécies.
    Uma nova “trindade” sem mistérios.
    Xico

  2. As transparentes palavras deste texto norteiam e fortalecem nosso caminhar. A construção de um ética clara para a realização de trabalhos que têm como objeto o bem comum e como sujeitos as pessoas, poupam esforços e potencializam a intuição dos participantes.

    Nós, da equipe do GTHidro, esperamos estar trilhando junto à comunidade de Urubici um “como fazer” por meio do Modelo de Governança da Água e do Território.

    Cabe a todos fazer a contínua avaliação deste processo!

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